
O governo Lula identificou risco de colapso de preços e empregos no setor de carne bovina após a China impor salvaguardas às importações. O Ministério da Agricultura defende criar cotas para regular as vendas ao país asiático e evitar desorganização no mercado.
China fixou para 2026 um limite de 1,1 milhão de toneladas de carne brasileira. O volume que ultrapassar a cota sofrerá tarifa de 55%, o que reduz a competitividade do produto. A medida atinge grandes exportadoras como JBS, Minerva e Marfrig.
Análise do Ministério da Agricultura estima queda de 35% na demanda chinesa, o equivalente a 600 mil toneladas. Documento enviado à Camex alerta para corrida entre frigoríficos, queda de preços e impacto em produtores rurais caso não haja controle das exportações.
Ofício assinado pelo secretário Luis Rua afirma que a ausência de mecanismo nacional pode gerar competição desordenada e ampliar o choque negativo. Pasta propõe distribuir cotas com base no histórico de exportações e reservar parte para pequenos e novos exportadores.
Governo sugere ainda uso de licenças para bloquear embarques acima do limite autorizado. Proposta deve ser analisada pelo Gecex, órgão da Camex. Próxima reunião está prevista para quinta-feira (12).
Dados do setor mostram que a China importou 123,2 mil toneladas de carne bovina brasileira em janeiro, alta de 35% na comparação anual. Parte desse volume, porém, refere-se a embarques realizados antes do anúncio das salvaguardas.
Itamaraty e Ministério do Desenvolvimento mantêm diálogo com autoridades chinesas. Vice-presidente Geraldo Alckmin tratou do tema com o vice-presidente da China no fim de janeiro. Negociações continuam enquanto governo tenta evitar efeitos mais severos já em 2026.