
Samba com política não deu certo. A Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula com o enredo “Lula, o operário do Brasil” e fez críticas a conservadores e evangélicos, foi rebaixada do Grupo Especial do Carnaval do Rio, somando apenas 264,6 pontos na apuração desta quarta-feira (18).
Ironia marcou o desfile: o ex-presidente Jair Bolsonaro foi retratado como palhaço Bozo, enquanto a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, acompanhou Lula do camarote, mas não desfilou. Quem assumiu o último carro foi a cantora Fafá de Belém, reforçando o clima inusitado do espetáculo que misturou política e festa popular.
Notas baixas atingiram sete dos nove quesitos: comissão de frente, bateria, mestre-sala e porta-bandeira, alegorias e adereços, harmonia, fantasia e enredo. Apenas o samba-enredo recebeu avaliação máxima, mostrando que a música agradou, mas a escolha temática e a execução da festa deixaram a desejar.
Críticas sobre propaganda política antecipada ganharam força, já que Lula deve concorrer à reeleição em 2026. O público questionou a mistura de política e folia, reforçando a sensação de que tentar transformar a Sapucaí em palanque pode custar caro neste caso, com direito a rebaixamento.
Resultado virou exemplo de que Carnaval não perdoa improvisos políticos. A escola retorna ao grupo de acesso e terá de repensar enredos e estratégia se quiser reconquistar o Grupo Especial. O recado ficou claro: samba pode exaltar, mas também cobra o preço quando a política se mistura demais à festa.