
A pesquisadora Tatiana Sampaio afirmou que perdeu a patente internacional da polilaminina após cortes de verbas para pesquisa entre 2015 e 2016. Segundo ela, a falta de recursos durante os governos de Dilma Rousseff e Michel Temer inviabilizou o pagamento das taxas exigidas para manter o registro fora do país.
Desenvolvido na Universidade Federal do Rio de Janeiro, o estudo dependia de financiamento institucional para custear a proteção intelectual. Com a suspensão das verbas em 2016, a equipe deixou de quitar as taxas internacionais e perdeu o direito de exclusividade em outros países.
Relato da cientista aponta que ela ainda tentou manter a patente ativa com recursos próprios. Durante um ano, pagou do próprio bolso para evitar a perda total da proteção. Mesmo assim, não conseguiu sustentar os custos internacionais e manteve apenas o registro nacional do medicamento.
Demora no processo também agravou a situação. A patente brasileira levou 18 anos para ser concedida, sendo validada apenas em 2025. Como o prazo total de vigência é de 20 anos, restaram apenas dois anos de exclusividade para exploração comercial da tecnologia no país.
Impacto, segundo Tatiana, vai além da questão financeira. Ela afirma que a perda compromete o reconhecimento internacional da ciência brasileira e de toda a equipe envolvida na pesquisa, que dedicou quase duas décadas ao desenvolvimento da polilaminina.