Viagem paga, fábrica de cannabis e investigação: Lulinha admite benefício de lobista preso

Revelação feita a aliados coloca o filho do presidente no centro de uma apuração explosiva. Fábio Luís Lula da Silva admitiu que viajou a Portugal com passagens e hotel pagos por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, hoje preso sob suspeita de corrupção e fraudes bilionárias contra aposentados.

Confissão ocorreu após a Polícia Federal avançar sobre mensagens e relatos que conectam o empresário ao lobista. Lulinha afirmou que embarcou para conhecer uma fábrica de cannabis medicinal, negou sociedade e garantiu que nunca recebeu pagamentos mensais ou vantagens financeiras além da viagem.

Investigação ganhou força quando um ex-funcionário do lobista declarou à PF que os dois seriam sócios. O depoente afirmou que Antunes pagava R$ 300 mil por mês ao “filho do presidente”. Mensagens apreendidas mencionam repasses ao “filho do rapaz”, expressão que a polícia agora tenta esclarecer.

Paralelamente, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS quebrou o sigilo bancário de Lulinha. Parlamentares querem saber se houve movimentações suspeitas ligadas ao esquema que desviou recursos de aposentados por meio de descontos indevidos em benefícios.

Defesa sustentada por interlocutores afirma que a aproximação ocorreu por meio da empresária Roberta Luchsinger, amiga da família. Segundo essa versão, encontros aconteceram em Brasília para discutir oportunidades no mercado de cannabis medicinal e temas regulatórios ligados à Anvisa.

Relatos indicam que a viagem ocorreu em 8 de novembro de 2024, com embarque em primeira classe no Aeroporto de Guarulhos rumo a Lisboa. Lulinha confirmou a pessoas próximas que Antunes bancou passagens e hospedagem durante a estadia em Portugal.

Proposta incluía visita a uma fábrica na região de Aveiro, conhecida como a “Veneza portuguesa”. Antunes pretendia adquirir o negócio e convidou o filho do presidente para avaliar a operação. Lulinha disse que analisou questões técnicas como cultivo indoor e controle de estufas.

Negociação, contudo, não avançou. Lulinha afirma que recusou sociedade e nunca recebeu valores do lobista. Ele sustenta que suas empresas não prestaram serviços a Antunes e que seus extratos mostram apenas dividendos regulares de atividades empresariais próprias.

Documentos apreendidos revelam que o lobista assinou contrato para comprar um galpão em Aveiro por 2,7 milhões de euros. Antunes pagou sinal de 100 mil euros antes de virar alvo da Operação Sem Desconto, que apura pagamentos milionários a ex-dirigentes do INSS.

Silêncio marcou a reação pública. Procurados, Lulinha e o Careca do INSS não comentaram oficialmente o caso. Roberta Luchsinger não foi localizada. Enquanto isso, a PF tenta esclarecer se a viagem foi apenas um encontro de negócios frustrado ou parte de uma engrenagem maior sob investigação.

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