
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atribuiu ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a responsabilidade pelo risco de aumento da tributação sobre a carne bovina exportada para a China. Em vídeo divulgado na sexta-feira (10), o parlamentar afirmou que os embarques que ultrapassarem a cota anual poderão ser submetidos a uma sobretaxa de 55%, além da tarifa de 12% já aplicada dentro do limite estabelecido pelo país asiático.
Durante a publicação, Flávio também rebateu críticas recebidas após participar de uma audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington. Na ocasião, o senador pediu o adiamento da proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump. No vídeo, ele afirmou que continuará atuando contra tarifas impostas por qualquer país aos produtos brasileiros.
Segundo levantamento da consultoria StoneX, divulgado nesta semana, o Brasil já utilizou 98,5% da cota anual de importação de carne bovina estabelecida pela China. O limite corresponde a 1,106 milhão de toneladas por ano. Acima desse volume, passa a incidir uma sobretaxa prevista pelas regras chinesas para proteger a produção local. A empresa explica que o avanço das exportações ocorreu porque frigoríficos anteciparam embarques para aproveitar a cota antes do seu esgotamento.
A StoneX avalia que a redução temporária das exportações para a China poderá aumentar a oferta de carne bovina no mercado interno ou redirecionar parte da produção para outros países compradores. A consultoria projeta desaceleração dos embarques durante o terceiro trimestre, mas ressalta que o movimento decorre da dinâmica da cota de importação chinesa e não atribui o cenário a falhas nas negociações conduzidas pelo governo brasileiro