Porto Seguro entra entre as cidades mais violentas do Brasil com avanço de facções

Porto Seguro passou a ocupar a quarta posição entre as cidades com maiores taxas de mortes violentas do Brasil, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025. O município registrou 71,2 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes no ano passado, enquanto Eunápolis aparece em segundo lugar, com taxa de 85,1. O levantamento considera municípios com mais de 100 mil habitantes e reúne dados de homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, feminicídios e mortes decorrentes de intervenção policial.

Além de Porto Seguro e Eunápolis, outras três cidades baianas figuram entre as dez mais violentas do país: Simões Filho, Jequié e Juazeiro. Embora a Bahia tenha registrado redução de 9,6% nas mortes violentas em 2025, na comparação com o ano anterior, o estado permanece na liderança nacional em números absolutos de assassinatos e ocupa a segunda posição proporcionalmente. O cenário mantém a segurança pública entre os principais desafios enfrentados pelo governo estadual.

Segundo especialistas, o avanço das facções criminosas está diretamente ligado à posição estratégica do extremo sul baiano. Porto Seguro possui aeroporto internacional, acesso pela BR-367 e ligação com o Porto de Ilhéus, fatores que favorecem a logística do tráfico de drogas. O crescimento da disputa entre grupos criminosos também é impulsionado pelo intenso fluxo turístico, pela presença de importantes rotas de transporte e por conflitos fundiários registrados na região. A expansão do Comando Vermelho na Bahia nos últimos anos intensificou as disputas por territórios em diversos municípios.

O Anuário também aponta que Porto Seguro e Eunápolis lideraram o ranking nacional de mortes decorrentes de intervenção policial em 2025. Em Porto Seguro, 49 das 130 mortes violentas registradas ocorreram durante ações policiais, o equivalente a 45% do total. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia informou que investiu R$ 1,3 bilhão em viaturas, equipamentos, inteligência e contratação de servidores, além de reforçar o policiamento na região. Especialistas, no entanto, defendem que o enfrentamento ao crime organizado exige ações permanentes de inteligência e combate às estruturas financeiras das organizações criminosas, além das operações policiais.

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