
Excesso de oferta provocou uma queda acentuada no preço do ovo no Sertão Produtivo da Bahia desde o fim de 2025. A superprodução do alimento desequilibrou a relação entre oferta e procura, reduziu margens de lucro e colocou produtores da região em estado de alerta diante da dificuldade de escoar a produção.
Produtores locais afirmam que o mercado entrou em crise após um movimento de expansão acelerada. Jovino Neto, criador de galinhas de postura no distrito de Mutans, em Guanambi, explica que o aumento da produção não foi acompanhado pelo consumo. Segundo ele, o preço despencou e a oferta hoje supera, com folga, a capacidade de absorção do mercado.
Esse cenário começou a se formar após a forte alta registrada em maio de 2025. Naquele período, o valor do ovo subiu de forma significativa e atraiu novos investidores para a atividade. A entrada simultânea de muitos produtores acabou saturando o mercado regional poucos meses depois.
Atualmente, a diferença no bolso do consumidor é evidente. Uma cartela com 30 ovos brancos pode ser encontrada por cerca de R$ 10, uma queda de até R$ 7 em comparação aos valores praticados no auge da alta. Para quem vive da atividade, porém, o preço já não cobre custos em alguns casos.
Enquanto isso, o ovo caipira sofre menos os efeitos da crise. Com público mais específico e produção menor, o produto mantém preços mais estáveis e não enfrenta o mesmo nível de desvalorização observado no ovo branco industrial.
Apesar das perdas, produtores acreditam em recuperação gradual. A expectativa do setor é que entre março e abril o mercado volte a se equilibrar, com ajuste natural da oferta e retomada dos preços a patamares considerados sustentáveis para a atividade.