
Senador Flávio Bolsonaro surpreende nas redes sociais desde que anunciou pré-candidatura à Presidência, superando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em tração online. O crescimento digital do filho 01 de Bolsonaro ocorre em contraste com a postura do petista, que repete críticas ao uso excessivo de celulares e à dependência tecnológica do público, posição que especialistas afirmam afastar eleitores mais conectados.
Dados da consultoria Bites mostram que, desde 2022, Flávio vem aumentando interações, enquanto Lula mantém presença mais institucional. “Tração” indica engajamento consistente por curtidas, comentários e compartilhamentos. Bolsonaro, em 2022, dominava a rede com estratégia digital agressiva, explorando o eleitorado com forte mobilização online e campanhas que incluíam fake news, enquanto a esquerda ainda relutava em investir nesse ambiente.
Mudanças na dinâmica digital ocorreram após a vitória de Lula, que registrou crescimento momentâneo nas redes por seis semanas. A primazia voltou a Bolsonaro até agosto de 2025, quando ficou incomunicável. Com auxílio do ministro da Secom, Sidônio Palmeira, Lula aprimorou estratégia digital, conseguindo vencer os dois adversários por 15 semanas. Flávio começou a reagir ao assumir protagonismo bolsonarista, consolidando presença com vídeos de viagens internacionais e encontros com líderes regionais.
Seguidores nas redes ainda favorecem Lula, mas Flávio adicionou 3,4 milhões de novos perfis desde dezembro, contra 378 mil de Lula. Aliados destacam que o crescimento reflete curiosidade sobre o herdeiro político de Bolsonaro, reforçando imagem de estadista. O senador publica vídeos autênticos e menos ensaiados, o que aumenta proximidade com o público, ao contrário do conteúdo muito produzido do presidente, percebido como distante.
Pesquisa Datafolha indica empate técnico no segundo turno: 46% de Lula contra 43% de Flávio. Especialistas de marketing digital avaliam que críticas do presidente à dependência digital e ao uso compulsivo de celulares contribuem para afastar eleitores, enquanto o senador ocupa esse espaço, com comunicação direta e interativa, explorando engajamento orgânico e linguagem próxima do público conectado.
Experiência digital de Lula ainda se limita a conteúdo informativo e institucional. Vídeos gravados para programas como Agora Tem Especialistas mostram interações ensaiadas com médicos em telessaúde, contrastando com a espontaneidade de Flávio, que grava vídeos pedindo orações e dialogando com militância. Estratégia reforça percepção de autenticidade, fundamental no ambiente online, enquanto Lula adota postura ideológica crítica às big techs e à dependência digital.
Idade e visão ideológica pesam na estratégia de Lula. Aos 80 anos, o presidente enfrenta dificuldade em adotar linguagem digital voltada para entretenimento e engajamento de massas. Estratégias de regulamentação das redes e inteligência artificial refletem preocupação com influência das big techs, enquanto Flávio, 44, explora mídias digitais para ampliar alcance, criar proximidade e consolidar imagem de candidato ativo e conectado.
Tendência indica que internet será terreno decisivo na disputa presidencial. Enquanto Lula mantém apelo institucional e crítico à tecnologia, Flávio Bolsonaro investe em autenticidade, mobilização e conteúdo constante. Especialistas alertam que capacidade de estar simultaneamente presente no digital e no corpo a corpo pode definir o resultado eleitoral, especialmente entre o público jovem e conectado.