
A suspensão parcial de produtos da marca Ypê provocou forte repercussão nas redes sociais e gerou embates políticos entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e defensores do governo federal. A medida foi adotada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária após identificação de possíveis riscos sanitários em produtos do lote final 1. A fabricante informou que manterá suspensa a produção de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes envolvidos na decisão.
A empresa Química Amparo, responsável pela marca Ypê, pertence à família Beira. Integrantes do grupo empresarial fizeram doações para a campanha de Bolsonaro nas eleições de 2022. Após a suspensão, apoiadores do ex-presidente passaram a afirmar nas redes sociais que a empresa estaria sendo alvo de perseguição política. Artistas e influenciadores também comentaram o caso. O ator Júlio Rocha e a cantora Jojo Todynho publicaram mensagens defendendo a marca e criticando a decisão da Anvisa.
Enquanto o debate político crescia nas redes, órgãos sanitários reforçaram o alerta sobre os produtos afetados. O Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo afirmou que o risco sanitário continua sendo avaliado e recomendou que consumidores não utilizem nem comercializem itens do lote suspenso. Segundo os órgãos de fiscalização, inspeções identificaram falhas em etapas da produção e possíveis riscos em diferentes produtos da linha de limpeza fabricada pela empresa.
Fundada em 1950, a Química Amparo é uma das maiores fabricantes de produtos de higiene e limpeza do país. A companhia afirma que está colaborando com as autoridades e adotando medidas para corrigir os problemas apontados pela Anvisa. A empresa possui fábricas em estados como Bahia, São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Pernambuco, além de manter milhares de funcionários em operação no Brasil.