
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou informar até mesmo aliados próximos sobre as sessões de radioterapia iniciadas após a retirada de um câncer de pele no couro cabeludo. A informação veio a público apenas depois da primeira sessão do tratamento, realizada na segunda-feira (25). Segundo interlocutores ouvidos pela Folha de S.Paulo, parte do círculo político e pessoal do petista descobriu o procedimento pela imprensa.
Aos 80 anos, Lula retirou em 24 de abril um câncer basocelular, considerado menos agressivo e mais comum entre os casos de câncer de pele. A possibilidade de radioterapia já era analisada pela equipe médica, mas a decisão foi confirmada após avaliação clínica realizada em 18 de maio. O presidente optou por iniciar imediatamente as sessões preventivas, decisão que surpreendeu até auxiliares próximos do Palácio do Planalto.
Enquanto mantém agenda política intensa, Lula tenta transmitir ao eleitorado uma imagem de disposição física diante da disputa pela reeleição em 2026. Após a segunda sessão de radioterapia, realizada nesta terça-feira (26), o presidente embarcou para Manaus para cumprir compromissos oficiais. Aliados afirmam que o tratamento não compromete a rotina do chefe do Executivo, que continua participando de eventos públicos e mantendo atividades diárias normalmente.
Além da discrição sobre o tratamento atual, o Planalto já havia sido alvo de questionamentos anteriores por omitir informações relacionadas à saúde do presidente. Em episódios recentes, detalhes sobre procedimentos médicos só foram divulgados após repercussão na imprensa. Segundo auxiliares, Lula teme que problemas de saúde reforcem uma imagem de fragilidade durante o atual mandato e no cenário eleitoral dos próximos anos.