
Novas informações da Operação Compliance Zero apontam que a Polícia Federal encontrou mensagens entre o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, e o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Segundo os investigadores, os diálogos reforçam a suspeita de que o parlamentar mantinha interlocução com pessoas ligadas ao Banco Master durante as negociações para a venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB), operação que acabou barrada pelo Banco Central.
De acordo com a investigação, uma das mensagens foi enviada por Augusto Lima em março de 2025, quando ele detalhava ao senador os termos da negociação envolvendo o banco. Na conversa, o empresário escreveu que Wagner “faz parte disso”, frase que, segundo a Polícia Federal, demonstra proximidade e participação em discussões consideradas estratégicas para os interesses do grupo investigado. Jaques Wagner e Augusto Lima foram alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos nesta quinta-feira (18).
Além das conversas, a PF apura supostos repasses financeiros e benefícios que teriam favorecido familiares do senador. Os investigadores apontam que uma empresa ligada ao núcleo familiar de Wagner recebeu R$ 3,5 milhões de uma companhia vinculada a Augusto Lima. Mensagens obtidas durante a apuração também mostram cobranças por pagamentos pendentes feitas por Eduardo Sodré Martins, enteado do parlamentar, ao empresário investigado.
Enquanto as investigações avançam, a Polícia Federal busca esclarecer se houve atuação indevida em favor dos interesses do Banco Master dentro do Congresso Nacional. Ao todo, 18 mandados de busca e apreensão foram autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça. A defesa de Jaques Wagner ainda não havia se manifestado sobre o conteúdo das mensagens e as novas suspeitas apresentadas pela investigação.