
O presidente da Bolívia declarou estado de emergência em todo o território nacional na madrugada deste sábado (20), após mais de 50 dias de protestos e bloqueios de rodovias. A medida foi adotada com o objetivo de liberar estradas estratégicas e garantir o abastecimento de serviços essenciais no país. O anúncio foi feito em pronunciamento oficial à nação.
Segundo o governo, a decisão não tem como objetivo restringir direitos da população, mas sim restabelecer a circulação de pessoas e mercadorias. O presidente afirmou que a ação busca “restaurar a liberdade” e normalizar o funcionamento das cidades afetadas pela crise. O decreto autoriza medidas para desobstrução de vias bloqueadas em diferentes regiões.
A situação no país envolve mais de 40 pontos de bloqueio em rodovias, de acordo com a Autoridade Rodoviária Boliviana. As manifestações têm afetado principalmente a capital La Paz e a cidade de El Alto, que enfrentam escassez de alimentos, combustível e insumos médicos, incluindo oxigênio hospitalar. O impacto tem comprometido serviços essenciais.
Conforme informações de órgãos oficiais e entidades de direitos humanos, ao menos 17 pessoas morreram durante o período de instabilidade. A maioria dos casos estaria relacionada à dificuldade de acesso a atendimento médico devido aos bloqueios nas estradas. O governo afirma que a prioridade é garantir o fluxo de suprimentos e a segurança da população.
O estado de emergência poderá durar até 90 dias, mas pode ser suspenso antes caso os bloqueios sejam encerrados. O decreto autoriza a atuação das Forças Armadas em apoio à polícia para desobstruir rodovias e restabelecer a ordem. O governo afirma que as atividades diárias da população não serão interrompidas durante o período.