
Agentes da Polícia Federal contestaram a versão apresentada pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) sobre a origem do dinheiro apreendido em um quarto de hotel em Brasília. Segundo fontes ligadas à investigação, os valores não estavam em envelopes do Senado, como afirmou o parlamentar. A apreensão ocorreu durante uma operação que apura suspeitas relacionadas ao Banco Master.
A ação foi realizada em 18 de junho, durante a 9ª fase da Operação Compliance Zero. No quarto ocupado pelo senador, os policiais apreenderam 55 mil dólares e 33 mil euros. Desde então, Wagner sustenta que o dinheiro corresponde a diárias recebidas do Senado para viagens internacionais. Em entrevista publicada nesta sexta-feira (26), ele afirmou que agentes da PF teriam retirado os valores dos envelopes oficiais antes de fotografá-los.
Segundo a apuração divulgada pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, os valores apreendidos superam o total de diárias internacionais recebidas pelo senador desde 2019. De acordo com o levantamento, Jaques Wagner recebeu, no período, cerca de 63 mil dólares e 1,4 mil euros. Assim, mesmo sem utilizar qualquer parte desse recurso, o montante seria inferior ao encontrado pelos investigadores.
Fontes da Polícia Federal que acompanham a investigação negaram a declaração do senador. De acordo com esses agentes, não havia qualquer envelope do Senado no local onde o dinheiro foi apreendido. O caso segue sob investigação no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master.