
Movimento ultratradicionalista da Igreja Católica colocou em alerta o Vaticano ao avançar com a ordenação de bispos sem aval do papa Leão 14. A iniciativa é da Fraternidade São Pio 10º e reacende o debate sobre possível cisma dentro da Igreja Católica. O caso ocorre em meio a divergências doutrinárias que se arrastam há décadas entre o grupo e a Santa Sé.
Segundo a tradição canônica da Igreja, nenhuma ordenação episcopal pode ocorrer sem autorização do papa. A decisão do grupo, marcado por críticas às reformas do Concílio Vaticano 2º, é vista como uma quebra direta da hierarquia católica. A pena prevista para esse tipo de ato é a excomunhão, o que agrava o conflito com o Vaticano.
Fraternidade São Pio 10º foi fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre como reação às mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano 2º. Entre as reformas rejeitadas pelo grupo estão a adoção das missas em língua local e a abertura ao diálogo com outras religiões. O movimento defende a manutenção de práticas consideradas tradicionais do catolicismo.
Crise semelhante já ocorreu em 1988, quando bispos ligados ao grupo foram consagrados sem aprovação do papa João Paulo 2º. Na ocasião, o Vaticano classificou o ato como “cismático” e aplicou excomunhão. Ao longo dos anos, houve tentativas de reaproximação, incluindo flexibilizações e concessões pontuais por parte de papas anteriores.
Especialistas apontam que, embora pequeno em números, o grupo tem forte impacto simbólico dentro do catolicismo. O avanço de correntes tradicionalistas também tem crescido entre jovens em países como Estados Unidos e França. O Vaticano, agora sob liderança de Leão 14, tenta evitar uma nova ruptura formal dentro da Igreja, enquanto o desfecho do impasse ainda é incerto.