MPE pede cassação de prefeito de Pindaí por suspeita de compra de votos em 2024

O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu a cassação do mandato do prefeito reeleito de Pindaí, João Evangelista Veiga Pereira, e da vice-prefeita Maria das Graças Amaral da Silva Pinheiro. O parecer também solicita a inelegibilidade dos dois por oito anos. A acusação aponta suposto esquema de compra de votos nas eleições municipais de 2024, vencidas por uma diferença de 378 votos, em um cenário considerado altamente disputado no município.

Segundo a manifestação do MPE, o grupo político teria estruturado um sistema de aliciamento de eleitores com diferentes formas de pagamento. As práticas incluíam transferências via Pix, entrega de dinheiro em espécie e distribuição de materiais de construção, como caixas d’água e sacos de cimento. Áudios anexados à investigação indicariam a existência de uma “tabela” com valor padrão de R$ 400 para garantir apoio à chapa majoritária e a candidatos aliados.

De acordo com o processo, há relatos de episódios em que eleitores teriam recebido valores em dinheiro em troca de voto. Em um dos casos citados, uma eleitora teria recebido R$ 5 mil na véspera da eleição e publicado imagem nas redes sociais com referência ao prefeito. Em outra situação, testemunhas afirmaram que valores de R$ 1,5 mil foram entregues em residência, acompanhados de pedido de foto com material de campanha como forma de registro do suposto acordo.

Ainda conforme o MPE, o prefeito teria sido apontado em depoimentos como participante direto de abordagens a eleitores, com promessas de entrega de materiais como blocos e caixas d’água. A defesa dos investigados nega irregularidades e contesta a validade de provas digitais, como áudios e comprovantes de transferências. O Ministério Público, porém, afirma que os dados foram validados por mecanismos técnicos e reforça a robustez do conjunto probatório.

Por fim, o caso está sob análise da Justiça Eleitoral, na 117ª Zona Eleitoral de Urandi, sob responsabilidade da juíza Lázara Cristina Gonçalves Travares de Souza. O MPE também destacou que a conduta processual das defesas, como a dispensa de testemunhas, teria fragilizado a produção de contraprovas. A decisão final ainda será proferida pela Justiça Eleitoral após a análise de todas as manifestações do processo.

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