
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (3) que a divulgação das imagens do dinheiro apreendido durante a operação que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA) seguiu o padrão de transparência adotado pela corporação. A declaração foi dada após o parlamentar criticar a exposição das cédulas apreendidas em endereços ligados a ele durante investigação sobre supostos pagamentos relacionados ao Banco Master.
Durante um café da manhã com jornalistas, Andrei Rodrigues afirmou que a operação demonstra a autonomia da Polícia Federal e negou qualquer tratamento diferenciado. Segundo ele, a instituição mantém uma política de comunicação baseada na transparência e utiliza os mesmos critérios em todas as operações, independentemente de quem seja o investigado.
Ainda segundo o diretor-geral, a Polícia Federal já adotou mudanças para evitar a espetacularização das investigações. Entre elas, estão o fim das entrevistas coletivas sobre operações e a decisão de não divulgar imagens de investigados algemados. Apesar disso, ele afirmou que a corporação continuará publicando fotografias de bens e valores apreendidos durante as ações policiais.
A operação foi realizada em 18 de junho e cumpriu mandados de busca em imóveis ligados ao senador. As investigações apuram suspeitas de que Jaques Wagner teria recebido pagamentos relacionados ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, por meio de uma empresa pertencente à sua nora. Durante as buscas, a Polícia Federal apreendeu aproximadamente US$ 55 mil em espécie e investiga ainda a aquisição de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Jaques Wagner afirmou que os dólares apreendidos têm origem legal. Segundo o senador, parte do dinheiro foi adquirida no Banco do Brasil para viagens oficiais realizadas pelo Senado. Ele declarou que costumava solicitar o pagamento das diárias em moeda estrangeira e guardar os valores para futuras viagens ao exterior.