
Indignação marcou o sepultamento de Aderval Rodrigues Andrade, de 54 anos, em Ipiaú. A família recusou enterrar o corpo na área destinada pela Prefeitura após encontrar um terreno sem muro e sem infraestrutura. Aderval morreu depois de enfrentar um longo tratamento contra o câncer. O caso ocorreu na quinta-feira (2) e ganhou repercussão após vídeos mostrarem as condições do local.
Segundo os familiares, a área anexa ao Cemitério Jardim da Saudade 2 era utilizada para pastagem de animais e não oferecia estrutura adequada para receber sepultamentos. Amanda Fontes Andrade, filha da vítima, afirmou que só descobriu o destino do corpo ao chegar ao cemitério. Ela disse que a família enfrentou dois anos de luta contra a doença e considerou a situação uma humilhação em um momento de luto.
Diante das condições encontradas, parentes e amigos decidiram interromper o cortejo e transferir o sepultamento para o distrito de Algodão. De acordo com Amanda, a decisão buscou garantir que o pai fosse enterrado com dignidade. Vídeos gravados no local mostram a revolta da família e circularam nas redes sociais, ampliando o debate sobre a estrutura disponível para os sepultamentos no município.
Procurada, a Prefeitura de Ipiaú informou, por meio do secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e Serviços Públicos, Nasser Barros, que a ampliação do Cemitério Jardim da Saudade 2 já está em andamento. Segundo ele, a expansão foi necessária porque parte da área atual possui formação rochosa, o que dificulta a abertura de novas covas. O secretário afirmou que o terreno receberá um muro de cerca de 3,20 metros de altura e terá capacidade para aproximadamente 1.050 sepultamentos.