
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de proibir encontros com finalidade político-eleitoral entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados até o fim das eleições de 2026 provocou preocupação na campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL). Integrantes do grupo político avaliam que a medida pode dificultar as articulações para as convenções partidárias, especialmente na definição de alianças, candidaturas e estratégias eleitorais para a disputa deste ano.
Segundo interlocutores da campanha, Jair Bolsonaro exercia papel central nas negociações internas do Partido Liberal e ainda participava da mediação de impasses envolvendo lideranças estaduais. Com a restrição imposta pela decisão judicial, aliados afirmam que o partido precisará reorganizar o processo de construção dos palanques e adaptar a estratégia para conduzir as tratativas sem a participação direta do ex-presidente nas reuniões de caráter político-eleitoral.
Em nota, o coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho, criticou a decisão do STF e afirmou que as medidas impõem restrições à atuação política do ex-presidente. A manifestação ocorre em meio aos preparativos para as convenções partidárias, período considerado decisivo para a formalização de candidaturas e alianças que disputarão as eleições de 2026.
Enquanto isso, aliados avaliam que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro poderá ampliar sua participação na interlocução com Jair Bolsonaro. A expectativa decorre das restrições impostas ao contato de Flávio com o pai, que, segundo a decisão judicial, está impedido de visitá-lo por 90 dias, além da suspensão temporária de visitas sociais. O cenário também ocorre em um momento de repercussão pública sobre desentendimentos recentes entre Michelle e o senador, tema que ganhou destaque nas últimas semanas.