
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensificou as negociações para atrair o Republicanos à sua coligação presidencial. O objetivo é ampliar o tempo de propaganda eleitoral na TV e no rádio. Caso permaneça apenas com o apoio do PL, o pré-candidato terá cerca de 20% menos tempo de exposição que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.
Atualmente, o cenário prevê apenas quatro candidatos com direito ao horário eleitoral gratuito: Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). Pelas regras da Justiça Eleitoral, apenas partidos que superaram a cláusula de desempenho garantem acesso à propaganda. Siglas como Novo e Missão, por exemplo, ficam fora da divisão do tempo por não atenderem ao requisito.
Segundo os cálculos das campanhas, Lula teria 5 minutos e 32 segundos em cada bloco diário de 12 minutos e 30 segundos, enquanto Flávio contaria com 4 minutos e 20 segundos caso dispute apenas pelo PL. Se o Republicanos aderir à coligação, o candidato do PL passaria a ter 5 minutos e 16 segundos, superando os 4 minutos e 51 segundos previstos para o petista nesse cenário.
Enquanto tenta consolidar a aliança, Flávio negocia apoios estaduais e mantém conversas sobre a composição da chapa presidencial. Entre as possibilidades está oferecer a vaga de vice ao Republicanos. A ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, é apontada como preferência do senador, embora dirigentes da legenda afirmem que ela não reúne consenso interno.
Apesar das articulações, a direção nacional do Republicanos ainda sinaliza preferência pela neutralidade na disputa presidencial. O presidente da sigla, Marcos Pereira, informou que ouvirá os diretórios estaduais antes de definir a posição oficial, prevista para ocorrer até o encerramento do prazo legal para formação das coligações.
Nos bastidores, dirigentes do Republicanos avaliam que o apoio ao senador perdeu força após a repercussão do caso envolvendo o filme Dark Horse. A revelação de que Flávio solicitou recursos ao empresário Daniel Vorcaro para financiar a produção gerou desgaste político, contribuiu para o afastamento de União Brasil e PP e alterou o cenário das negociações com partidos do Centrão.
Pelas regras eleitorais, o tempo de propaganda é calculado com base no tamanho das coligações e na bancada de deputados federais eleitos por cada partido em 2022. Desse total, 10% do tempo é dividido igualmente entre os candidatos aptos ao horário eleitoral, enquanto os outros 90% são distribuídos proporcionalmente ao número de parlamentares das legendas que integram cada chapa. No segundo turno, os dois finalistas dividem igualmente o tempo de propaganda na televisão e no rádio.