
Raimundo Alves de Souza, conhecido como Ravengar, construiu entre as décadas de 1990 e 2000 uma das estruturas criminosas mais conhecidas de Salvador. O traficante comandou o Morro da Águia, no bairro de São Gonçalo do Retiro, e criou um esquema que, segundo investigações policiais, envolvia venda de drogas, vigilância e divisão de funções dentro da organização.
Antes da consolidação das facções criminosas que hoje atuam na Bahia, Ravengar já exercia influência no tráfico da capital baiana. Investigações apontaram que o grupo funcionava com gerentes de pontos de venda, responsáveis pelo transporte de drogas e pessoas encarregadas de monitorar a movimentação na comunidade. O esquema chegou a ser investigado como uma estrutura organizada semelhante a uma empresa criminosa.
Nascido em Salvador, em 1953, Ravengar teve diferentes atividades antes de entrar no tráfico. As investigações indicam que ele começou vendendo pequenas quantidades de maconha e, ao longo dos anos, ampliou sua atuação até assumir o controle de uma rede de distribuição de drogas.
Durante o período em que comandou o Morro da Águia, o traficante também ficou conhecido por ações de influência dentro da comunidade. Segundo relatos e investigações da época, ele financiava iniciativas locais e estabelecia regras próprias, criando uma estrutura de poder paralela em uma região marcada pela ausência de serviços públicos.
A prisão de Ravengar, em 2004, encerrou parte de sua atuação nas ruas, mas ele continuou influente dentro do sistema prisional. Condenado por tráfico de drogas, associação criminosa, refino de entorpecentes e corrupção ativa, ele chegou a criar um documento conhecido como “Código Ravengar”, com regras internas para detentos.
Após cumprir parte da pena e passar por períodos em diferentes regimes, Ravengar voltou a ser preso em 2017 durante a Operação Petros, junto com familiares e pessoas apontadas como integrantes da organização criminosa. Ele morreu em 8 de junho de 2023, aos 70 anos, após complicações de saúde relacionadas à diabetes.