Pesquisa revela que 73% dos brasileiros querem facções tratadas como terrorismo

Levantamento da Genial/Quaest mostra avanço da percepção de insegurança e pressiona Congresso durante debate do PL Antifacção.

Majoridade dos brasileiros defende que facções criminosas sejam enquadradas como grupos terroristas. Dado aparece em nova pesquisa Genial/Quaest divulgada ontem (12). Estudo indica que 73% da população aprova a medida, que voltou ao centro da discussão com o avanço do PL Antifacção na Câmara.

Levantamento ouviu 2.004 pessoas entre 6 e 9 de novembro em 120 municípios. Margem de erro é de dois pontos percentuais. País vive crescente sensação de insegurança. Segundo o instituto, 38% veem a violência como principal problema do Brasil, oito pontos acima de outubro.

Percepção sobre o sistema de justiça também preocupa. Ao todo, 86% concordam que “a polícia prende, mas a justiça solta porque a legislação é fraca”. Número reforça pressões por mudanças na lei e por respostas mais duras ao crime organizado.

Polarização aparece na avaliação do governo. Metade dos entrevistados desaprova a gestão Lula, enquanto 47% aprovam. Cenário inclui a defesa de leis mais rígidas: 46% querem penas maiores como solução imediata para a segurança pública.

Outros dados chamaram atenção no campo político. Para 45% dos consultados, Lula saiu “mais forte” após o encontro com Donald Trump. Resultado revela que o evento influenciou a percepção de parte significativa do eleitorado.

Operações policiais também impactaram o humor nacional. Megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, no fim de outubro, recebeu aprovação de 67% dos brasileiros, mesmo após 121 mortos, número que marca a ação mais letal da história do Rio. Para 57%, a operação não foi “desastrosa”, posição contrária à declaração inicial do presidente Lula.

Avanço do PL Antifacção segue acirrado no Congresso. Relator Guilherme Derrite (PP-SP) recuou duas vezes após propor equiparar facções a grupos terroristas. Mudança enfrentou resistência do governo. Integrantes do Ministério da Justiça afirmaram que a medida criaria risco à soberania e distorceria normas internacionais.

Câmara mantém o texto na pauta. Votação pode ocorrer a qualquer momento, sob pressão de uma opinião pública que clama por respostas mais duras ao crime.

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