Flávio promete renegociar dívidas de mais de 100 milhões

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pretende criar, caso seja eleito, um programa de renegociação de dívidas para mais de 100 milhões de brasileiros. A proposta foi apresentada por Daniella Marques, assessora econômica da campanha, que também defendeu mudanças na regra fiscal e mecanismos para conter a trajetória da dívida pública. Segundo ela, o programa terá como objetivo recuperar a capacidade financeira das famílias e ampliar a participação delas no mercado.

Além da renegociação, a campanha prevê uma proposta de emenda à Constituição (PEC) ainda durante a transição de governo. A medida criaria um Conselho Superior da República, com representantes dos três Poderes, para discutir mecanismos de controle das despesas públicas. Daniella afirmou que a intenção é promover uma espécie de autocontenção dos gastos e revisar o atual arcabouço fiscal, com uma possível trava vinculada à relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo a assessora, o plano econômico teria ainda medidas para reduzir despesas consideradas privilégios e reorganizar a estrutura do governo. Entre as propostas citadas estão o fim de supersalários, redução de cargos comissionados e de ministérios, além da revisão de ativos da União. Daniella afirmou que a campanha trabalha com a meta de produzir uma economia equivalente a 1,5% do PIB, mas evitou detalhar quais cortes seriam adotados para alcançar esse resultado.

Ao ser questionada sobre a falta de detalhamento, Daniella afirmou que a definição das medidas dependerá das negociações políticas após a eleição. Segundo ela, a campanha pretende levar diferentes propostas ao Congresso e discutir com os parlamentares quais despesas deverão ser reduzidas. A assessora também citou imóveis, estatais, créditos de dívida ativa, contratos de petróleo e outros recebíveis como ativos que poderiam ser utilizados na estratégia econômica.

Em relação ao programa para endividados, Daniella afirmou que a proposta será diferente do Desenrola, iniciativa criada pelo governo federal. Segundo ela, a campanha pretende utilizar instituições como Caixa, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia para oferecer garantias e ampliar o acesso ao crédito. A medida envolveria reestruturação de dívidas, formalização e reinserção nos mercados, além da utilização de parte dos ativos públicos como mecanismo de garantia.

Ainda de acordo com a assessora, o plano considera mais de R$ 5 trilhões em ativos da União. A proposta prevê utilizar parte desses recursos para financiar medidas destinadas à recuperação da capacidade financeira das famílias. Daniella afirmou que aproximadamente um terço da realização desses ativos poderia ser direcionado para esse objetivo, mas os detalhes da execução ainda deverão ser definidos pela campanha e pelo Congresso.

Sobre o salário mínimo e mudanças na Previdência, a assessora afirmou que não há intenção de discutir essas medidas antes de uma revisão dos gastos considerados prioritários pela campanha. Ela também defendeu o fim da escala 6×1, mas afirmou que trabalhadores e empresas deveriam ter liberdade para estabelecer diferentes formatos de jornada. Na área tributária, disse que eventual redução de encargos sobre a folha seria gradual e dependeria da reorganização das contas públicas.

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