
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que a percepção dos eleitores sobre preços e endividamento representa um risco maior para a campanha de 2026 do que as acusações envolvendo seu filho Fábio Luís, o Lulinha. O tema econômico ganhou espaço na disputa com o senador Flávio Bolsonaro e passou a ser explorado pelo adversário em discursos e redes sociais.
Enquanto o governo destaca resultados como o baixo desemprego e a inflação controlada, integrantes da base reconhecem dificuldades para transformar esses indicadores em ganhos percebidos pela população. A taxa básica de juros, atualmente em 14% ao ano, pressiona o orçamento de famílias e empresas e dificulta a melhora da percepção econômica, segundo aliados do presidente.
Nos últimos dias, Flávio Bolsonaro intensificou os ataques relacionados ao custo dos alimentos e ao endividamento. O senador também passou a explorar a crise do Grupo Casas Bahia como exemplo dos efeitos dos juros elevados sobre empresas. A dívida pública brasileira chegou a 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB), indicador utilizado pelos adversários para questionar a condução da economia.
Paralelamente, o preço dos alimentos provocou uma disputa de vídeos entre integrantes das duas campanhas. Flávio visitou um Armazém Solidário em São Paulo e associou a alta dos preços à gestão de Lula. O deputado Nikolas Ferreira também publicou conteúdo sobre o valor do café, enquanto integrantes do governo apresentaram preços diferentes para rebater as críticas.
Além da ofensiva pública, responsáveis pelas redes sociais da campanha petista identificaram perfis que, segundo eles, estariam reproduzindo conteúdos semelhantes aos discursos de Flávio sobre os preços nos supermercados. A equipe de Lula pretende solicitar investigação à Justiça Eleitoral, sob a alegação de que pode existir uma rede organizada para disseminar informações falsas.
Em outra frente, as acusações contra Lulinha também permanecem no debate político. Ele é acusado de suposta atuação com a lobista Roberta Luchsinger para tentar vender medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. Fábio Luís nega irregularidades, e políticos dos dois grupos avaliam que, com as informações disponíveis, o caso tende mais a dificultar a conquista de novos eleitores do que provocar uma perda significativa de votos.
Por fim, aliados de Lula defendem que a campanha concentre esforços em indicadores econômicos próximos da realidade cotidiana, como desemprego de aproximadamente 5,4%, aumento da renda e inflação acumulada considerada relativamente baixa. No Datafolha, Lula aparece com 39% no primeiro turno, contra 33% de Flávio, enquanto no segundo turno marca 47% contra 43%, dentro do empate técnico.