Alcolumbre adia votação do fim da escala 6×1 para depois do primeiro turno

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), decidiu não concluir antes do primeiro turno das eleições a votação da PEC que prevê o fim da escala 6×1. A medida frustrou a expectativa do governo Lula, que ainda tenta convencer o senador a colocar a proposta em análise até o segundo turno, previsto para 25 de outubro.

Apesar da decisão, integrantes do governo afirmaram que ainda havia possibilidade de votação nesta quinta-feira (3). O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, disse após conversar com Alcolumbre que ainda existia tempo para tentar convencê-lo. Nos bastidores, porém, governistas já consideravam improvável uma votação antes de 4 de outubro.

Segundo integrantes da articulação política, Alcolumbre apontou a resistência de senadores da oposição e de parte do centrão como motivo para não pautar a proposta neste momento. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que o acordo firmado com o presidente da Casa envolvia outras matérias, e não a inclusão da PEC na pauta do plenário.

Entre os projetos considerados prioritários pelo governo estão a proposta sobre minerais críticos, a medida provisória conhecida como “taxa das blusinhas” e a PEC da Segurança Pública. Alcolumbre avalia que já atendeu parcialmente aos interesses do Planalto ao encaminhar a proposta sobre a escala 6×1 para a Comissão de Constituição e Justiça, onde foi aprovada na quarta-feira (2).

Com o calendário eleitoral, esta é a última semana de funcionamento regular do Congresso antes do primeiro turno. Propostas que não forem votadas até esta quinta-feira (3) tendem a ficar para depois do pleito, já que a sexta-feira (4) deverá ter atividades reduzidas. A estratégia do governo passou então a considerar a possibilidade de levar a votação para o período anterior ao segundo turno.

Ainda assim, aliados do presidente Lula defendem a manutenção da relação política com Alcolumbre, considerada importante para futuras votações. O governo acredita que poderá negociar a análise da escala 6×1 e também da PEC da Segurança Pública antes do segundo turno, evitando um novo desgaste com o comando do Senado.

Na Comissão de Constituição e Justiça, a PEC que prevê o fim da escala 6×1 foi aprovada simbolicamente, sem registro individual dos votos. A proposta recebeu apenas quatro manifestações contrárias, nenhuma delas de senadores que disputam a eleição deste ano. O texto agora precisa passar pelo plenário, onde são necessários 49 votos entre os 81 senadores em cada um dos dois turnos.

Por fim, aliados de Lula avaliam que o adiamento pode ser convertido em vantagem eleitoral para o presidente caso a votação ocorra próxima ao segundo turno. O grupo pretende explorar o tema em uma eventual disputa contra Flávio Bolsonaro (PL), enquanto o senador Rogério Marinho (PL-RN) defende uma alternativa baseada na negociação entre empregadores e trabalhadores para o pagamento por hora.

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