
Flomira Rosa dos Santos, moradora da comunidade quilombola de Três Capões, em Ibicoara, na Chapada Diamantina, completou 110 anos e mantém uma rotina ativa. Lavradora, ela atravessou diferentes períodos históricos, incluindo as duas Guerras Mundiais, a gripe espanhola e a pandemia de Covid-19.
Nascida e criada em meio às atividades rurais, dona Flomira perdeu a mãe ainda na infância e enfrentou dificuldades para criar os seis filhos. Durante décadas, trabalhou no campo com o cultivo de arroz, feijão e milho. Atualmente, a família da matriarca reúne seis filhos, 23 netos e 31 bisnetos.
Mesmo aos 110 anos, a idosa afirma não ter diagnóstico de doenças e preserva hábitos simples do cotidiano. Entre eles está uma caminhada de aproximadamente 200 metros até a casa de um dos filhos. Ela também consegue realizar tarefas que exigem precisão, como colocar linha em uma agulha sem precisar usar óculos.
Em entrevista, Flomira relembrou o período em que trabalhava nas estradas e nas plantações para sustentar os filhos. A centenária atribui a longevidade e as condições atuais de saúde à fé e agradece a Deus pela vida que construiu ao longo de mais de um século.
Orgulhoso da convivência com a bisavó, o estudante Samuel Pereira, de 17 anos, destacou a relação da família com a matriarca. Segundo ele, Flomira ajudou a cuidar dos familiares quando eram crianças e atualmente recebe deles o carinho e os cuidados como forma de retribuição.
Por fim, a história de dona Flomira se mantém ligada à comunidade onde construiu sua trajetória. Aos 110 anos, ela continua participando da rotina familiar e preserva lembranças de diferentes gerações que passaram pela comunidade quilombola de Três Capões.