
O senador Jaques Wagner (PT), candidato à reeleição, negou nesta segunda-feira (21) qualquer envolvimento com o Banco Master e afirmou que sua relação com Augusto Ferreira Lima começou durante a privatização da Cesta do Povo, na Bahia. A declaração foi dada em entrevista à rádio Piatã FM, em meio às investigações que passaram a citar o nome do parlamentar.
Wagner afirmou que conheceu Lima em 2018, quando o empresário participou da aquisição da rede estadual de supermercados, e destacou que o Banco Master foi criado posteriormente. O senador disse que manteve contato com o empresário ao longo dos anos, mas negou ter atuado em benefício da instituição financeira.
Ao ser questionado sobre mensagens analisadas pela Polícia Federal, Wagner afirmou que não se recorda do contexto de uma conversa de 2024 com Lima na qual teria mencionado a necessidade de saber como estavam “as coisas do banco”. O senador reconheceu a relação com o empresário, mas contestou a interpretação de que os contatos representassem atuação em favor do Master.
Durante a entrevista, o parlamentar também citou medidas adotadas no Senado que, segundo ele, demonstrariam não ter defendido os interesses do banco. Wagner afirmou ter assinado o pedido de CPI do Banco Master, apresentado emenda sobre juros do crédito consignado e votado contra uma proposta relacionada à ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Wagner ainda afirmou que a autorização para funcionamento do Banco Master ocorreu durante o governo Jair Bolsonaro e destacou que medidas posteriores contra a instituição ocorreram durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A relação entre o senador e Augusto Lima, porém, continua sendo mencionada no contexto das investigações da Operação Compliance Zero.
Em declarações anteriores, Wagner também afirmou que conheceu Lima no processo de privatização da Cesta do Povo e que o vínculo entre ambos se desenvolveu a partir daquela negociação. Documentos do Senado registram que Lima participou da privatização da rede em 2018 e posteriormente se tornou sócio do grupo que controlava o Banco Master.