
A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha, responsável por determinar que a TV Globo não exibisse o púlpito reservado a Luiz Inácio Lula da Silva no debate presidencial de quinta-feira (1º), já declarou publicamente voto no atual presidente. A manifestação ocorreu durante a eleição de 2022, quando Lula disputava o segundo turno contra Jair Bolsonaro.
Em uma gravação que voltou a circular nas redes sociais, Estela afirmou que votaria em Lula e justificou sua escolha com argumentos relacionados à defesa do Estado Democrático de Direito e da democracia. A data exata do registro não foi confirmada. Procurada pela imprensa, a ministra não comentou o conteúdo do vídeo.
Na decisão sobre o debate, Estela determinou que a emissora não mostrasse o púlpito destinado a Lula, que havia informado anteriormente que não participaria do encontro. Segundo a decisão, a exposição do espaço vazio poderia produzir consequências negativas ao candidato ausente e, na avaliação apresentada no documento, pressionar pela participação no debate.
A medida ocorreu em meio a uma sequência de decisões judiciais que alteraram a organização do debate. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou posteriormente a participação de Renan Santos, candidato do Missão. Flávio Bolsonaro havia desistido de comparecer, e a Globo acabou cancelando o evento.
Estela Aranha foi nomeada por Lula para uma vaga efetiva do TSE destinada à classe dos juristas em julho de 2025 e tomou posse em agosto daquele ano, para mandato de dois anos. O próprio tribunal confirma que ela ocupa a vaga com início em 1º de agosto de 2025 e término previsto para 1º de agosto de 2027.
Antes de integrar o TSE, Estela atuou como secretária de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública, durante a gestão de Flávio Dino. Também trabalhou em áreas relacionadas à inteligência artificial e relações internacionais na Presidência da República e, em 2025, foi assessora da Presidência do próprio TSE.
A trajetória profissional da ministra inclui ainda participação em comissões da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no Conselho Consultivo de Alto Nível da ONU sobre Inteligência Artificial e em grupos de juristas do Senado voltados à regulamentação da tecnologia e à atualização do Código Civil.