Aliados cobram de Lula propostas para o futuro e mudança na estratégia de campanha

Deputados federais eleitos de partidos aliados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva defenderam, nesta quarta-feira (7), mudanças na estratégia adotada para a disputa pela reeleição. Durante reunião com integrantes das bancadas do PT, parlamentares afirmaram que a trajetória política e as realizações do presidente não seriam suficientes para conquistar novos votos. A avaliação apresentada foi de que a campanha precisa priorizar propostas para o futuro.

Segundo os parlamentares, Lula deve apresentar de forma mais clara o que pretende fazer caso permaneça no Palácio do Planalto. A cobrança ocorre em meio à avaliação de que a campanha tem concentrado parte da comunicação no que já foi realizado pelo governo, sem detalhar suficientemente os próximos passos. Para os aliados, também é necessário modificar a maneira como as mensagens chegam ao eleitorado.

Entre os parlamentares mais jovens presentes no encontro estavam Ana Elisa (PT-MG), Rick Azevedo (PSOL-RJ), Pedro Rousseff (PT-MG), Guilherme Cortez (PSOL-SP) e Fábio Félix (PSOL-DF), que tiveram votações expressivas no primeiro turno. Durante a reunião, os integrantes desse grupo reforçaram que a manutenção da estratégia anterior dificilmente ampliará a votação de Lula na etapa decisiva da eleição.

Além disso, a campanha começou a ampliar o uso das redes sociais como parte dessa mudança. A avaliação entre aliados é de que as ações realizadas nas ruas alcançaram principalmente a militância, mas tiveram menor capacidade de dialogar com eleitores indecisos e com o público jovem, que acompanha a disputa principalmente pelas plataformas digitais.

Nesta quarta-feira, Lula publicou vídeos gravados no formato selfie, sinalizando uma alteração na comunicação da campanha. Em uma das gravações, o presidente convocou a população para participar das atividades nas ruas. Em outra, abordou a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e cobrou posicionamento do senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário na disputa presidencial.

Por fim, integrantes do PT e aliados avaliam que setores mais tradicionais do partido ainda demonstram resistência a mudanças na campanha, mas reconhecem a necessidade de aproximar o presidente dos eleitores. Entre as principais cobranças está a retomada do diálogo com a base eleitoral petista e uma maior aproximação com as classes C e D, consideradas importantes para a estratégia de reeleição.

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