Lula enfrenta crise interna e reformula campanha para o segundo turno

A campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta uma crise interna três dias após o primeiro turno, no qual o petista terminou atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O resultado levou a equipe a discutir mudanças na estratégia e na organização da campanha para a votação marcada para 25 de outubro.

Na quarta-feira (7), Lula manifestou publicamente insatisfação com a condução da campanha, coordenada pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva. Em reunião com aliados, o presidente afirmou que a campanha ficou abaixo do que poderia ter sido e criticou a organização do trabalho realizado desde o início da disputa.

Edinho já vinha sendo alvo de críticas internas, inclusive por problemas relacionados à distribuição de materiais gráficos para os estados. Petistas também questionaram a organização das atividades partidárias. Apesar da pressão, aliados avaliam que Lula não deve retirar Edinho da coordenação, mas pode dividir parte das atribuições com outros integrantes do grupo.

Entre os nomes cotados para ampliar a participação na campanha está o ex-governador do Ceará e ministro Camilo Santana (PT). A estratégia também deve incluir lideranças regionais que venceram as eleições estaduais, especialmente no Nordeste, com nomes como Rui Costa e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues.

Na área de comunicação, a equipe poderá contar com o reforço do secretário de Cultura licenciado da Bahia, Bruno Monteiro, que participou da campanha de reeleição de Jerônimo. O senador Otto Alencar (PSD-BA), que se reuniu com Lula nesta semana, afirmou que há convergência sobre ampliar a atuação de lideranças locais na mobilização do segundo turno.

Paralelamente, Lula passou a alterar a comunicação da campanha, com maior presença em vídeos gravados por celular e formato de selfie. A estratégia busca ampliar a atuação no ambiente digital, onde aliados reconhecem maior força do grupo adversário. O presidente também reuniu deputados eleitos com forte presença nas redes sociais para discutir formas de ampliar a mobilização.

No discurso, o presidente passou a dar maior destaque à segurança pública e adotou uma postura mais dura contra a criminalidade. Lula também tem abordado temas como relações entre o Supremo Tribunal Federal e o Banco Master e pretende explorar, durante a campanha, o impacto de uma eventual mudança de governo sobre programas e benefícios sociais.

Lula terminou o primeiro turno com 45% dos votos, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 47%, segundo os dados apresentados na reportagem. A segunda etapa da eleição presidencial está marcada para 25 de outubro, quando os dois candidatos voltarão a disputar a preferência dos eleitores.

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