Mulheres conservadoras somam mais de 7,5 milhões de votos e ampliam presença política com redes sociais

Mulheres identificadas com pautas conservadoras conquistaram espaço no Senado e na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026, somando mais de 7,5 milhões de votos, segundo levantamento citado em reportagem da Folhapress. A presença digital aparece como um dos fatores associados ao desempenho eleitoral dessas candidatas, que utilizam plataformas como Instagram e WhatsApp para divulgar propostas, defender posicionamentos e manter contato com eleitores.

Entre os nomes citados estão Michelle Bolsonaro, eleita senadora com 938.496 votos, e Bia Kicis, que recebeu 886.616. Na Câmara dos Deputados, Julia Zanatta obteve 560.223 votos e Chris Tonietto, 81.966. Já Ana Campagnolo foi eleita deputada estadual por Santa Catarina com 387.523 votos, enquanto Eduarda Campopiano recebeu 1.956.238 votos em São Paulo, conforme os números apresentados na reportagem.

No Rio de Janeiro, a deputada estadual Índia Armelau (PL) foi reeleita com 248.504 votos, resultado superior aos 57.582 obtidos na eleição de 2022. A parlamentar atribui o crescimento à atuação nas redes sociais, onde publica conteúdos sobre sua rotina política, comenta acontecimentos e divulga seu trabalho na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Com quase 947 mil seguidores no Instagram, Índia afirma que a proximidade com o público e a divulgação de suas atividades contribuíram para ampliar seu alcance. Entre suas principais pautas estão a defesa da família, os direitos das pessoas com deficiência, o incentivo ao esporte e a segurança pública. Embora se posicione contra o feminismo, ela declara defender os direitos das mulheres.

A antropóloga Letícia Cesarino, autora do livro *O Mundo do Avesso: Verdade e Política na Era Digital*, avalia que discursos antifeministas podem gerar engajamento ao combinar polêmica, entretenimento e mensagens que despertam medo ou indignação. Segundo a pesquisadora, temas relacionados a gênero são apresentados por determinados grupos como ameaças à família e às crianças, estratégia que pode aumentar a circulação de conteúdos e favorecer a mobilização política.

Já a deputada federal Chris Tonietto relaciona sua presença digital à autenticidade da comunicação com os seguidores. Para ela, eleitores se identificam com representantes que expressam valores e posicionamentos semelhantes aos seus. A parlamentar afirma que essa conexão contribui para que parte do público se sinta representada.

O cenário evidencia o papel crescente das redes sociais na comunicação política e na mobilização de eleitores. Ao mesmo tempo, as análises apresentadas apontam que o alcance digital envolve diferentes estratégias, desde a divulgação de atividades parlamentares até conteúdos de confronto ideológico, cuja repercussão pode influenciar a forma como candidaturas constroem sua imagem pública.

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