
O deputado federal Ricardo Maia articula uma mudança no comando do MDB na Bahia para assumir o controle estadual da legenda, atualmente ligado aos irmãos Geddel e Lúcio Vieira Lima. A movimentação, ainda em fase inicial, envolve lideranças nacionais do partido e teria o apoio do vice-governador reeleito Geraldo Júnior. Entre os principais interesses da disputa estão os cargos e espaços ocupados pelo MDB na estrutura do governo baiano.
Nas conversas, Ricardo Maia busca apoio de integrantes da bancada federal e do presidente nacional do MDB, Baleia Rossi. A articulação pretende ampliar a influência do parlamentar sobre as indicações políticas do partido no estado, incluindo as secretarias estaduais de Infraestrutura Hídrica e Saneamento (SIHS), comandada por Marise Chastinet, e de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), chefiada por José Castro.
Embora Geraldo Júnior tenha mantido proximidade política com os Vieira Lima, o vice-governador reeleito apoiaria a iniciativa para fortalecer sua posição nas negociações com o governador Jerônimo Rodrigues. Outro objetivo atribuído a Geraldo seria garantir espaço para o filho, o deputado estadual Matheus Ferreira, que não conseguiu se reeleger. A reorganização dos cargos, porém, ainda depende das articulações políticas e das decisões do governo estadual.
Questionados sobre a movimentação, dirigentes do MDB afirmaram desconhecer a tentativa de mudança e disseram estar concentrados na campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. A assessoria de Jerônimo Rodrigues também informou que as discussões sobre cargos e espaços na próxima gestão ocorrerão após a eleição. Ricardo Maia não respondeu aos contatos feitos para comentar o assunto.
Historicamente, essa não seria a primeira tentativa de Ricardo Maia de assumir o comando estadual da legenda. Após conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados, o parlamentar já teria procurado lideranças nacionais para avaliar uma possível mudança, mas a iniciativa não avançou. Agora, a articulação ocorre em meio ao enfraquecimento político dos Vieira Lima, após o primo Jayme Vieira Lima não conseguir uma vaga na Câmara Federal.
Além das duas secretarias, o MDB baiano mantém influência sobre a Companhia de Engenharia Hídrica e de Saneamento (Cerb), atualmente presidida por Larissa Moraes, e a Junta Comercial do Estado da Bahia (Juceb), comandada por Ramon de Almeida Bagano Guimarães. A legenda também conta com dois deputados estaduais. No governo federal, Ricardo Maia indicou Roberto Alcântara para a presidência do DNIT na Bahia e declarou apoio à reeleição de Lula, enquanto uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia provocar mudanças no órgão.