
A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) apresentou três requerimentos ao governo federal para solicitar informações sobre os acessos do empresário Amauri Rodrigues Pinha, ligado ao filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, ao Palácio do Planalto e a outros órgãos públicos. A parlamentar também quer detalhes sobre reuniões com autoridades e contratos firmados pela empresa Mota-Engil com o poder público.
Os pedidos foram encaminhados ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e aos ministérios dos Transportes e de Minas e Energia. Zanatta solicita registros de entrada e saída do empresário, identificação das autoridades que o receberam e informações sobre reuniões realizadas, incluindo eventuais encontros que não tenham sido divulgados em agendas oficiais.
A iniciativa ocorreu após a lobista Roberta Luchsinger afirmar, em entrevista à CNN Brasil, que a proximidade do empresário com o filho do presidente teria contribuído para que a Mota-Engil conquistasse contratos bilionários com o governo federal. Na entrevista, ela mencionou cerca de R$ 2 bilhões em contratos atribuídos ao grupo empresarial, mas, conforme as informações divulgadas, não apresentou comprovação dos valores citados.
Além disso, a deputada questiona contratos da Mota-Engil com a Petrobras que, segundo os requerimentos, somam mais de R$ 5 bilhões. A parlamentar busca esclarecimentos sobre os processos de licitação, os critérios utilizados para selecionar a empresa, os valores efetivamente pagos e a eventual ocorrência de interferências nas contratações.
Entre os pontos levantados por Zanatta estão a possível existência de credenciais especiais de acesso e a realização de encontros sem registro nas agendas públicas. Os requerimentos buscam reunir informações documentais para esclarecer as circunstâncias dos acessos do empresário às instituições federais e os procedimentos relacionados aos contratos mencionados.
O governo federal tem prazo de 30 dias para responder às solicitações apresentadas pela deputada. Os questionamentos, por si só, não comprovam irregularidades nos contratos nem demonstram que os acessos do empresário tenham ocorrido de forma indevida.