
Projeção histórica coloca o advogado-geral da União, Jorge Messias, de 45 anos, como potencial sexto ministro mais longevo do STF caso tenha o nome aprovado. O cálculo considera a permanência até a aposentadoria compulsória aos 75 anos e a manutenção do atual quadro da Corte, cenário que ampliaria a influência de ministros indicados ainda jovens.
Levantamento mostra que, nascido em fevereiro de 1980, Messias poderia permanecer no Supremo até o início de 2055. Isso representaria cerca de 29 anos no cargo, tempo raro na história republicana do tribunal, onde apenas cinco ministros ultrapassaram 25 anos de atuação entre os 161 que já deixaram a Corte.
Ranking de longevidade é liderado por Dias Toffoli, que pode alcançar 33 anos no STF se cumprir o mandato até o limite legal. Além dele, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Kassio Nunes Marques e André Mendonça também têm potencial para ultrapassar duas décadas no tribunal, formando um bloco historicamente duradouro.
História do Supremo revela que os recordes absolutos pertencem a Celso de Mello e Marco Aurélio, ambos com pouco mais de 31 anos de atuação. Antes deles, ministros do início da República chegaram a permanecer até a morte no cargo, período em que a Constituição ainda não previa aposentadoria compulsória por idade.
Mudança decisiva ocorreu com a chamada PEC da Bengala, aprovada em 2015, que elevou a idade-limite de 70 para 75 anos. A alteração ampliou em até cinco anos o tempo de permanência dos ministros e impactou diretamente o equilíbrio político das indicações, ao reduzir o número de vagas abertas em um mesmo mandato presidencial.
Análise acadêmica aponta que indicações mais jovens podem gerar efeito contrário ao esperado pela classe política. Especialistas avaliam que ministros com longas trajetórias tendem a se distanciar dos padrinhos políticos, fortalecendo a autonomia do STF e ampliando sua independência institucional ao longo do tempo.