
Drama mobiliza moradores de Macaúbas e Vitória da Conquista. A bebê Luiza Pereira Araújo, de cinco meses, segue internada em estado gravíssimo no Hospital de Base, à espera de transferência urgente para Salvador. A criança está hospitalizada há mais de 50 dias, sem resposta oficial da regulação estadual sobre vaga ou data para o encaminhamento.
Segundo a família, o tempo se tornou o maior inimigo. Luiza tem suspeita de erro inato do metabolismo, grupo de doenças raras que exige acompanhamento imediato de equipe altamente especializada e estrutura de alta complexidade. Essas condições, conforme os parentes, estariam disponíveis no Hospital das Clínicas, na capital baiana.
Quadro clínico inspira extrema atenção. A bebê já apresentou convulsões e sofreu três paradas respiratórias durante a internação. Mesmo diante da gravidade, a transferência solicitada com pedido de UTI móvel ainda não foi efetivada. A família vive dias de angústia e incerteza, sem retorno concreto das autoridades responsáveis.
Antes da atualização mais recente, relatórios médicos já apontavam risco iminente de morte. Desde então, familiares acionaram Secretaria de Saúde, Governo do Estado, Ministério Público, Defensoria Pública e parlamentares. A mobilização também ganhou força nas redes sociais, ampliando a pressão por respostas e por uma solução imediata.
Caso expõe falhas recorrentes da regulação da saúde na Bahia. Situações semelhantes atingem crianças, adultos e idosos que aguardam vagas por semanas ou meses. A concentração de serviços especializados na capital, a falta de UTIs pediátricas e o subfinanciamento do SUS agravam o cenário, sobretudo no interior.
Indignação cresce diante da percepção de desigualdade. Moradores questionam se a demora seria a mesma caso a criança fosse parente de uma autoridade. A sensação de que soluções dependem de “padrinhos políticos” revolta famílias que defendem um princípio básico: saúde não é favor, é direito garantido por lei.
Enquanto a transferência não acontece, a pergunta segue sem resposta. Até quando uma vida vai esperar na fila da regulação? Luiza não é um protocolo nem um número. É uma bebê que luta para sobreviver, enquanto o sistema falha em garantir o atendimento que pode salvar sua vida.