
Avaliação do publicitário Leandro Grôppo indica que o governador Romeu Zema perdeu musculatura política ao trocar o discurso de gestão por uma abordagem ideológica. Responsável pelas campanhas vitoriosas de 2018 e 2022, ele atribui o mau desempenho nas pesquisas a essa mudança de foco.
Segundo Grôppo, Zema se destacou ao vender a imagem de gestor eficiente. Na campanha de 2022, os motes “trem nos trilhos” e “primeiro Minas” reforçaram a promessa de colocar a casa em ordem, mensagem que teria perdido espaço com o discurso mais eleitoral.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada na última quarta-feira mostrou Zema com apenas 2% das intenções de voto para a Presidência. O governador aparece atrás de nomes da direita, como Ronaldo Caiado, Ratinho Junior e Flávio Bolsonaro, o que acendeu alerta no entorno político.
Procurada, a assessoria do governador citou entrevista recente em que Zema minimiza os números. Ele afirmou estar satisfeito com o resultado e disse não temer percentuais baixos, mas a falta de trabalho na política.
Nas eleições passadas, Zema surfou no voto “Luzema”, eleitores que apoiaram Lula para presidente e Zema para governador. Segundo Grôppo, esse grupo chegou a 40% em Minas, ajudando a quebrar a polarização no estado.
Agora, o cenário mudou. A pesquisa mais recente aponta 0% de apoio entre lulistas e apenas 2% entre bolsonaristas. Mesmo entre eleitores independentes ou da direita não bolsonarista, o governador marcou apenas 3%.
Para o marqueteiro, insistir na ideologia é um erro estratégico. Ele afirma que o eleitor está cansado da polarização e cobra resultados concretos, ressalvando que o discurso ideológico só funciona para quem é fruto direto dele, como a família Bolsonaro.