
Produtores e comerciantes de cacau bloquearam a BR-101 neste domingo, no sul da Bahia, em protesto contra a importação de amêndoas africanas. A manifestação começou às 6h, no km 106, em Itamarati, distrito de Ibirapitanga, e provocou congestionamento nos dois sentidos ao longo do dia.
Movimento reuniu fazendeiros, comerciantes, entidades de classe e lideranças políticas ligadas à cadeia do cacau. Os organizadores afirmam que a importação agravou a queda histórica dos preços e reduziu a renda de quem depende da lavoura, ampliando a crise no campo.
Segundo os produtores, os valores pagos pelas indústrias despencaram com deságios considerados excessivos. Eles dizem que os preços internos, atrelados à Bolsa de Nova York, estão entre os mais baixos das últimas duas décadas, tornando a atividade inviável.
Importação do cacau africano é apontada como fator central do problema. O setor produtivo acusa a entrada massiva do produto de achatar preços, formar estoques artificiais e prejudicar o produtor local, que enfrenta custos elevados de manutenção das fazendas.
Outra queixa envolve a falta de isonomia nas regras. Produtores pedem revisão das normas de classificação e logística do cacau importado, alegando exigências menos rigorosas ao produto estrangeiro em comparação ao nacional.
Dados apresentados no ato mostram o impacto econômico. Em um ano, a arroba caiu de cerca de R$ 1.000 para R$ 250, valor que, segundo os manifestantes, não cobre sequer os custos básicos da produção.
Novo protesto já está marcado para quarta-feira, no mesmo trecho da rodovia. O grupo cobra ações imediatas das autoridades para conter a crise e proteger a cadeia produtiva do cacau na região.
Indústria, por sua vez, aponta queda global no consumo de derivados de cacau. As moageiras dizem que o cenário reduziu o ritmo das fábricas, gerou acúmulo de estoques e tornou a importação estratégica para manter as plantas em funcionamento.