
O Banco Master contratou o escritório de advocacia da família do ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski entre 2023 e agosto de 2025, período que inclui sua passagem pelo Ministério da Justiça no governo Lula. A contratação ocorreu após sugestão do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e previa pagamento mensal de R$ 250 mil por serviços de consultoria jurídica.
Contrato foi firmado quando Lewandowski havia acabado de deixar o Supremo Tribunal Federal, em abril de 2023, e retornado à advocacia privada. Em janeiro de 2024, dias antes de assumir o comando do Ministério da Justiça, ele se retirou formalmente do escritório e suspendeu o registro na OAB, mas a banca seguiu atuando para o banco sob responsabilidade da esposa, Yara Lewandowski, e do filho do casal.
Indicação partiu de Jaques Wagner, segundo revelou o portal Metrópoles e confirmou a Folha de S.Paulo. A assessoria do senador afirmou que ele apenas foi consultado sobre um nome de jurista experiente e lembrou de Lewandowski. A decisão final, segundo Wagner, coube exclusivamente ao banco, que considerou a sugestão adequada.
Atuação do escritório ocorreu enquanto Lewandowski comandava a pasta à qual a Polícia Federal é subordinada, entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2026. Em nota, o ex-ministro afirmou que, ao assumir o cargo, deixou de atuar em qualquer processo e se afastou completamente da banca, interrompendo todas as atividades profissionais na advocacia.
Contexto se agrava porque o Banco Master também contratou o escritório de familiares do ministro Alexandre de Moraes, do STF, por R$ 3,6 milhões mensais. O acordo, com duração prevista de 36 meses, poderia render até R$ 129 milhões, caso a instituição não tivesse sido liquidada pelo Banco Central, segundo revelou o jornal O Globo.
Investigação envolve diretamente o dono do banco, Daniel Vorcaro, preso em novembro durante a operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A apuração investiga fraudes na emissão de títulos de crédito falsos. Vorcaro foi solto dias depois e passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica, enquanto os contratos milionários seguem sob escrutínio público.
Repercussão segue sem resposta oficial de alguns dos citados. O gabinete do ministro Alexandre de Moraes, o escritório Barci de Moraes e a defesa de Vorcaro não se manifestaram. O caso reacende o debate sobre conflitos de interesse, relações entre o setor financeiro e escritórios ligados a membros do Judiciário e a necessidade de maior transparência nas contratações.