
Atenção sanitária em aeroportos de diversos países asiáticos aumenta após a confirmação de cinco casos do vírus Nipah na Índia, na região da Bengala Ocidental. Países como Tailândia, Nepal e Taiwan intensificaram triagem e monitoramento de passageiros, utilizando protocolos semelhantes aos adotados durante a pandemia de COVID-19, para conter qualquer disseminação internacional.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o vírus provoca sintomas como febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta. Em casos graves, pacientes podem apresentar confusão mental, dificuldade respiratória e pneumonia. O vírus é transmitido de animais para humanos, principalmente por morcegos e porcos, e também pode se espalhar entre pessoas em contato próximo, o que acendeu alerta das autoridades de saúde.
No momento, o Centro de Controle de Doenças da Índia afirma que os casos estão restritos a dois distritos de Kerala — Kozhikode e Malappuram — e não representam surto de grandes proporções. Cerca de 100 pessoas foram orientadas a cumprir quarentena, enquanto pacientes recebem tratamento em Calcutá, incluindo um em estado crítico. O ministério acompanha a situação de perto, garantindo monitoramento contínuo da população.
Especialistas alertam para a alta letalidade do Nipah. Alexandre Naime Barbosa, infectologista da Unesp, explica que o vírus, identificado em 1999, já provocou 12 surtos no século XXI, com 477 casos documentados e 338 mortes, cerca de 70% de letalidade. A doença é zoonótica, transmitida por morcegos frutívoros e contato com secreções humanas, provocando febre alta, sintomas neurológicos e respiratórios, podendo evoluir para encefalite e falência múltipla de órgãos.
Tratamento é exclusivamente de suporte em unidades de terapia intensiva, sem antivirais ou vacinas específicas disponíveis. Apesar do risco de disseminação, ele ainda é limitado, pois o vírus não se adaptou totalmente ao corpo humano. Autoridades reforçam medidas de prevenção, monitoramento rigoroso e protocolos de isolamento para evitar que o Nipah se torne uma ameaça mais ampla à população.