
Levantamento do Ministério da Saúde revela que o excesso de peso atingiu 62,6% dos brasileiros em 2024, avanço expressivo frente aos 42,6% registrados em 2006. Os dados do Vigitel mostram uma escalada silenciosa que acompanha mudanças no estilo de vida e pressiona o sistema de saúde em todo o país.
Obesidade também avançou de forma acelerada no período analisado. A proporção de adultos com IMC igual ou superior a 30 dobrou em 18 anos, saltando de 11,8% para 25,7%. O cenário indica agravamento de riscos cardiovasculares e reforça o desafio de conter doenças crônicas ligadas ao peso.
Doenças como diabetes e hipertensão seguiram a mesma tendência de alta nas capitais e no Distrito Federal. O diagnóstico de diabetes mais que dobrou, passando de 5,5% para 12,9%, enquanto a hipertensão cresceu de 22,6% para 29,7%, refletindo impactos diretos do sedentarismo e da alimentação inadequada.
Atividade física no deslocamento urbano caiu de 17% para 11,3% desde 2009, influenciada pelo maior uso de carros por aplicativo e transporte público. Em contrapartida, exercícios no tempo livre aumentaram, com 42,3% dos adultos atingindo ao menos 150 minutos semanais, sinal de mudança parcial de hábitos.
Consumo alimentar apresentou avanços tímidos. A ingestão regular de frutas e hortaliças permaneceu praticamente estável, em torno de 31%, enquanto refrigerantes e sucos artificiais tiveram queda relevante, passando de 30,9% para 16,2%, resultado de maior conscientização e políticas de saúde pública.
Autoridade sanitária avalia que os progressos ainda são insuficientes. Segundo o ministro Alexandre Padilha, o envelhecimento da população amplia a incidência de doenças crônicas, exigindo políticas mais robustas de prevenção e cuidado contínuo para evitar o colapso do atendimento nos próximos anos.
Sono entrou pela primeira vez no radar do Vigitel e trouxe um novo alerta. Cerca de 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite, enquanto 31,7% relatam sintomas de insônia, problema mais frequente entre mulheres e associado ao ganho de peso e à piora da saúde mental.
Estratégia nacional foi lançada para enfrentar o problema. Batizado de Viva Mais Brasil, o plano prevê investimento de R$ 340 milhões em ações de promoção da saúde, incluindo a retomada da Academia da Saúde, além de iniciativas voltadas à alimentação saudável, vida ativa e prevenção de doenças no SUS.