Brasil registra 84,7 mil desaparecidos em 2025; média chega a 232 por dia

País registrou 84.760 casos de desaparecimento em 2025, aumento de 4,1% em relação a 2024, quando ocorreram 81.406 casos. A média diária de pessoas sumindo chegou a 232, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). A tendência mostra que o problema continua crescente, apesar da criação da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, em 2019.

Especialistas apontam que a pandemia causou queda momentânea nos registros em 2020 e 2021, devido às restrições que dificultaram acesso às delegacias, ampliando a subnotificação. Apesar disso, o número de pessoas localizadas aumentou: em 2020 foram 37.561, enquanto em 2025 esse número saltou para 56.688, alta de 51% na década.

Segundo Simone Rodrigues, coordenadora do Observatório de Desaparecimento de Pessoas no Brasil (ObDes/UnB), o aumento nas localizações reflete tanto o crescimento do problema quanto o aprimoramento das estratégias de busca, como maior interoperabilidade de dados e comunicação entre órgãos federais, estaduais e municipais.

Casos recentes mostram a complexidade da questão. A corretora Daiane Alves de Souza, 43 anos, desapareceu em dezembro de 2025 em Caldas Novas (GO) e foi encontrada morta dias depois. Crimes envolvendo feminicídio, tráfico de pessoas, LGBTQfobia e ocultação de cadáveres estão entre as causas mais comuns, dificultando o registro de boletins de ocorrência e a atuação das autoridades.

Desafios da Política Nacional de Busca incluem integração limitada entre estados, cadastro nacional recém-criado em 2025 e falta de padronização de dados biométricos. Apenas 12 das 27 unidades federativas estão conectadas ao sistema. Simone ressalta que preconceitos institucionais e estereótipos, como esperar 24 horas para registrar um desaparecimento, atrapalham buscas e agravam a subnotificação.

Conclusão é que, mesmo com avanços recentes, o país enfrenta desafios estruturais e sociais para localizar desaparecidos. Dados oficiais ainda não refletem a totalidade do problema, exigindo ajustes na política e maior articulação entre órgãos de segurança, saúde e assistência social para reduzir o número crescente de casos.

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