
Encontro entre o presidente Lula e o senador Ciro Nogueira ocorreu na antevéspera do Natal, na Granja do Torto, em Brasília. A reunião, fora da agenda oficial, foi articulada a pedido do presidente do PP e contou com a presença do presidente da Câmara, Hugo Motta, segundo relatos de participantes.
Segundo interlocutores, a conversa teve tom cordial e buscou reaproximar Ciro de Lula. O senador articula um acordo para garantir apoio indireto à sua reeleição no Piauí, estado governado pelo PT, onde estarão em disputa duas vagas ao Senado nas eleições de 2026.
Nos bastidores, Ciro defende que Lula apoie apenas um nome ao Senado, o senador Marcelo Castro, do MDB. A estratégia abriria espaço para sua recondução ao cargo, reduzindo a concorrência direta e preservando alianças locais consideradas estratégicas pelo grupo político.
Em troca, o presidente do PP sinalizou neutralidade na disputa presidencial. A proposta inclui afastar o partido de uma aliança formal com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL, o que enfraqueceria o campo bolsonarista em um estado historicamente favorável a Lula.
Atualmente, o PP integra a federação União Progressista, formada com o União Brasil. Juntas, as siglas criariam a maior bancada da Câmara, com atuação unificada nas eleições nacionais, embora a federação ainda aguarde reconhecimento definitivo do Tribunal Superior Eleitoral.
Fontes ouvidas relataram que o encontro serviu para reduzir tensões acumuladas desde o governo Bolsonaro. Ao final da conversa, Lula e Ciro trocaram gestos de cordialidade, e aliados do presidente afirmam que o petista demonstra simpatia pessoal pelo senador piauiense.
Durante o diálogo, Ciro destacou que manteve lealdade a Bolsonaro até o fim, mas lembrou ter sido um dos primeiros aliados a reconhecer a vitória de Lula em 2022. O gesto foi interpretado como sinal de possível fidelidade política em um eventual novo mandato.
Internamente, a articulação enfrenta resistência no PT do Piauí. Lideranças locais lembram que Ciro foi eleito com apoio de Lula no passado e depois rompeu com o partido. O governador Rafael Fonteles e o ministro Wellington Dias não teriam sido informados sobre a reunião.
Mesmo com ressalvas, aliados reconhecem a força eleitoral de Ciro no estado. Prefeitos de diferentes partidos, inclusive do PT, mantêm apoio ao senador. Em um Piauí majoritariamente lulista, a avaliação é que qualquer candidatura com aval do Planalto larga em vantagem.
Por fim, o movimento de reaproximação tende a gerar desgaste junto ao eleitorado bolsonarista. Identificado com o ex-presidente nos últimos anos, Ciro agora avalia como se posicionar diante da candidatura de Flávio Bolsonaro, enquanto o PP considera liberar seus filiados na disputa nacional.