
Julgamento histórico marcou o fim de uma disputa judicial que durou uma década. O Tribunal do Júri de Irecê absolveu, por unanimidade, um lavrador da zona rural acusado de tentativa de homicídio contra o genro. Jurados entenderam que ele agiu para proteger a filha grávida, vítima de violência doméstica recorrente. Decisão gerou forte comoção no plenário.
Caso teve início logo após o Natal de 2015, quando o pai recebeu uma ligação informando que a filha havia sido agredida durante a madrugada. Ao chegar à residência, ouviu da própria jovem que o companheiro também destruiu o celular e que aquela não era a primeira agressão. Diante do relato, ele levou a filha e as netas para casa.
Reação ocorreu dias depois, quando o sogro chamou o genro para ir até uma roça sob o pretexto de verificar tomates. No local, amarrou o homem e o agrediu com uma corda, na presença de outras pessoas. Genro sofreu hematomas e registrou denúncia três dias depois. Ministério Público enquadrou o caso como sequestro, cárcere privado e tentativa de homicídio.
Defesa ficou a cargo da Defensoria Pública do Estado da Bahia, por meio do grupo especializado em júri. O defensor Felipe Ferreira sustentou que o réu não teve intenção de matar, mas de proteger a filha. No interrogatório, o lavrador chorou diversas vezes ao relatar medo de perder a família para a violência.
Sentença foi recebida com aplausos contidos e lágrimas. Jurados reconheceram que o réu agiu sob forte abalo emocional ao saber das agressões contra a filha grávida. Absolvição encerra um processo de 10 anos e reacende o debate sobre os limites entre justiça pelas próprias mãos e o direito de defesa diante da violência doméstica.