
O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPI do INSS, afirmou em entrevista nesta segunda-feira (16) que o ministro do STF, Alexandre de Moraes, deveria ser afastado do cargo até o fim das investigações sobre mensagens atribuídas a ele envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Viana disse que, em “qualquer país sério”, Moraes não ocuparia o cargo enquanto o caso não fosse esclarecido.
O parlamentar apontou que o número de telefone usado por Vorcaro na primeira prisão, em 17 de novembro de 2025, é funcional do STF e que as mensagens encontradas no aparelho sugerem negociações para tentar salvar o Banco Master. Moraes negou ter recebido tais mensagens, mas não descartou outros contatos com Vorcaro naquela data.
Viana afirmou que a CPI buscava esclarecimentos formais do STF sobre a posse do número, mas a análise foi suspensa após decisão do ministro André Mendonça, que bloqueou o acesso aos documentos obtidos na quebra de sigilo de Vorcaro. O senador destacou que a decisão foi “coerente” e que seguirá com a investigação a partir desta terça-feira (17).
Documentos recentes indicam novos contatos de Vorcaro com parlamentares, incluindo Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Nikolas Ferreira (PL-MG). Viana disse que constava na agenda do banqueiro, mas que nunca manteve contato direto. Ele reforçou que quer levar Vorcaro à CPI e acredita que o ex-banqueiro pode colaborar com uma delação premiada, revelando envolvidos no escândalo do Master.
A CPI também pretende convocar Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, e Gabriel Galípolo, atual dirigente do Master, para ouvir ambos juntos, evitando divisões políticas na apuração. Outras pessoas já convocadas incluem Martha Graeff, ex-noiva de Vorcaro, Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro, e Luiz Antonio Bull, ex-diretor do banco.