
Dias Toffoli passou a enfrentar um cenário de maior isolamento no Supremo Tribunal Federal (STF) após o avanço das investigações relacionadas ao Banco Master. Nos bastidores da Corte, ministros avaliam que o magistrado perdeu espaço nas articulações internas. Diante desse cenário, integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) iniciaram um movimento de reaproximação com o ministro, que também integra a composição titular do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de olho nas disputas eleitorais de 2026.
Segundo lideranças petistas, Toffoli poderá exercer papel importante em futuros julgamentos da Justiça Eleitoral. O movimento ganhou força após uma decisão liminar do ministro determinar a retotalização de votos em Alagoas, medida que resultou na perda do mandato do deputado federal Paulão (PT-AL). A vaga passou a ser ocupada por um parlamentar do Republicanos, reduzindo a bancada petista na Câmara dos Deputados.
Durante o julgamento, Toffoli também criticou um pedido de vista apresentado pela ministra do TSE Estela Aranha, que já integrou o governo Lula. O episódio ampliou a preocupação de aliados do presidente, que temem um afastamento do ministro em relação à ala considerada mais próxima do governo dentro da Corte Eleitoral. Nos bastidores, interlocutores avaliam que ele tem mantido maior proximidade institucional com os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, ambos indicados ao STF durante o governo Jair Bolsonaro.
Enquanto isso, o ambiente no Supremo continua marcado pelos reflexos da investigação sobre o Banco Master. O nome de Toffoli aparece entre os mais afetados pela crise, especialmente após o vazamento de uma sessão reservada que discutiu a retirada do ministro da relatoria do inquérito. Segundo pessoas próximas, o magistrado acredita ter recebido menos apoio de colegas do que outros ministros mencionados nas investigações e afirma que o tratamento dispensado a ele foi diferente dentro da Corte.
Apesar das especulações sobre seu isolamento, Toffoli tem afirmado a interlocutores que suas posições continuam sendo acolhidas em diversos julgamentos e nega qualquer alinhamento político dentro do STF. O ministro também sustenta que relações pessoais não influenciam suas decisões judiciais. Antes de chegar ao Supremo, ele ocupou cargos nos governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas a relação entre ambos passou por momentos de tensão ao longo dos últimos anos e voltou a ganhar relevância diante do cenário político e eleitoral.