
A Fiscalização Preventiva Integrada da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco identificou danos ambientais e arqueológicos em uma área rural localizada no povoado do Tatu, no município de Cocos. A vistoria ocorreu nesta segunda-feira (18) e apontou que atividades ligadas à extração e ao beneficiamento de calcário estariam ameaçando sítios históricos e formações geológicas preservadas há milhões de anos na região oeste da Bahia.
Durante a fiscalização, técnicos encontraram pichações, rabiscos e nomes escritos nas paredes de cavernas que possuem pinturas rupestres registradas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). As equipes também identificaram rochas quebradas e sinais de escavações clandestinas dentro de uma das cavernas. Segundo os especialistas, os danos podem ter destruído materiais arqueológicos importantes, como fragmentos de cerâmica, pedras trabalhadas e até vestígios de sepultamentos indígenas antigos.
Além da degradação direta nos sítios arqueológicos, a equipe da FPI constatou indícios de exploração mineral nas proximidades das cavernas. Conforme os técnicos, havia marcas de retirada de calcário e sinais de possível uso de explosivos na área. A situação preocupa especialistas por colocar em risco estruturas geológicas formadas há milhões de anos, além de patrimônios históricos que ainda não passaram por catalogação oficial.
Após a vistoria, os órgãos envolvidos informaram que irão comparar os danos atuais com levantamentos feitos pelo Iphan em 2023 para verificar se houve avanço da degradação ambiental e patrimonial. O instituto pretende buscar um acordo extrajudicial com os responsáveis pela área para exigir medidas compensatórias, preservação dos sítios arqueológicos e ações educativas voltadas à proteção do patrimônio histórico no município e no povoado do Tatu.