Maestro João Queiroz marcou a história musical de Dom Basílio por 45 anos

A história musical de Dom Basílio, no sudoeste da Bahia, está ligada à trajetória de João Baptista de Queiroz, conhecido como Maestro João Queiroz. Nascido em 1904, ele comandou a Filarmônica São João entre 1927 e 1972, período de 45 anos. Segundo o professor e historiador Dedé Queiroz, o maestro participou de manifestações culturais, religiosas e cívicas e contribuiu para a formação de músicos no município.

Durante a atuação na filarmônica, os ensaios ocorriam na chamada Casa da Música, localizada na antiga Rua do Ponto. Na época, as partituras eram produzidas manualmente, em um processo que exigia dedicação dos músicos. O espaço também funcionava como ponto de encontro e aprendizado, ajudando a manter a atividade musical presente na rotina da comunidade.

Segundo o relato do historiador, João Queiroz ensinou música a jovens agricultores e trabalhadores de Dom Basílio. Com o ensino de instrumentos e repertórios, o maestro participou da formação de novos músicos e contribuiu para a continuidade da tradição da Filarmônica São João ao longo das décadas seguintes.

Entre os elementos associados ao trabalho do maestro estão os dobrados, executados em procissões, celebrações religiosas, eventos cívicos e festividades. Os arranjos reuniam instrumentos graves, como bombardinos e trombones, além de clarinetes e pistões, responsáveis pelas linhas melódicas. A formação acompanhava diferentes momentos da vida comunitária.

Nas celebrações religiosas, a música também ocupava espaço de destaque, especialmente durante os festejos de São João Batista, padroeiro de Dom Basílio. Os integrantes da Filarmônica São João executavam hinos e outras peças durante missas, novenários, procissões e demais atividades relacionadas às festividades do município.

Em 1963, conforme o relato de Dedé Queiroz, João Baptista de Queiroz compôs um hino em homenagem a Dom Basílio após a emancipação política do município. A obra recebeu, em 1975, um poema escrito pelo jovem Eriton Fernando Teixeira, enquanto João Queiroz ficou responsável pelos arranjos. A composição passou a reunir referências à história local.

Outro registro deixado pelo maestro são as partituras manuscritas produzidas durante sua trajetória. Os documentos preservam parte do repertório utilizado pela filarmônica em uma época com recursos mais limitados para produção e conservação de materiais musicais.

Após 45 anos à frente da Filarmônica São João, João Queiroz morreu em 1976. Para o professor e historiador Dedé Queiroz, sua trajetória deixou marcas na formação de músicos, na preservação de repertórios e na continuidade da tradição musical de Dom Basílio. As informações sobre o maestro foram reunidas a partir do relato publicado pelo historiador.

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