
O presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, se entregou à Polícia Federal na quarta-feira (12). Ele estava foragido desde novembro de 2025, quando teve a prisão decretada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo fontes ligadas à investigação, a prisão pode abrir caminho para uma negociação de delação premiada.
Apontado como uma das figuras centrais da investigação sobre descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Lopes já havia sido indiciado pela Polícia Federal no primeiro inquérito do caso. Na ocasião, ele foi incluído entre outras 47 pessoas investigadas pela suposta participação no esquema.
Conforme as informações da investigação, o caso envolve descontos bilionários realizados em benefícios de aposentados e pensionistas. A apuração busca esclarecer a atuação de entidades que mantinham acordos para oferecer serviços aos beneficiários e realizar descontos diretamente nos pagamentos do INSS.
Entre os nomes relacionados à Conafer está André Fidelis, que ocupou o cargo de diretor de benefícios do INSS até julho de 2024. Ele foi exonerado após reportagens apontarem suspeitas de fraudes envolvendo descontos realizados por associações e sindicatos nos benefícios de aposentados.
Segundo as informações divulgadas sobre o caso, Fidelis era responsável por assinar parcerias com associações e sindicatos que ofereciam serviços aos aposentados. Os acordos permitiam a realização de descontos nos benefícios, modelo que posteriormente passou a ser alvo de investigação.
Durante esse período, a Conafer registrou aumento no número de filiados e no faturamento, conforme os dados apresentados na apuração. Com a expansão dos descontos, o INSS firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a entidade para estabelecer a revalidação dos valores descontados.
Além disso, a Conafer é apontada como uma entidade com vínculos políticos com setores do Centrão. A relação com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou destaque principalmente pela atuação de André Fidelis na estrutura do INSS até sua saída do cargo em 2024.
Agora, com a entrega de Carlos Roberto Ferreira Lopes à Polícia Federal, a investigação entra em uma nova etapa. A eventual negociação de uma delação premiada dependerá das tratativas com as autoridades e da análise das informações que o presidente da Conafer possa apresentar sobre o caso.