
A Polícia Federal aponta Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, como possível beneficiário indireto de articulações feitas pela empresária e lobista Roberta Luchsinger para tentar viabilizar a venda de medicamentos à base de canabidiol ao governo federal. As informações constam em relatório policial e integram uma investigação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o documento, mensagens analisadas pelos investigadores indicam que Lulinha era citado por Roberta como uma referência para decisões relacionadas aos projetos discutidos. A PF afirma que ele teria sido beneficiado indiretamente por articulações realizadas por terceiros em seu nome. Lulinha é amigo da empresária e aparece como alvo de três inquéritos no STF.
Além disso, a investigação identificou mensagens nas quais Roberta teria afirmado que precisava tirar Lulinha do Brasil até junho de 2025. Naquele ano, ele se mudou para a Espanha. O relatório também aponta a existência de um grupo de WhatsApp formado por Roberta, Lulinha e Fernando Bittar, descrito pelos investigadores como um núcleo de atuação coordenada.
Durante a apuração, a PF identificou ainda a participação de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula. Segundo o relatório, ele teria intermediado um encontro entre Roberta e Swedenberger Barbosa, que ocupava naquele período o cargo de secretário-executivo do Ministério da Saúde.
Após a reunião, conforme as informações da investigação, Roberta enviou a Marcola uma minuta de contrato para a venda de medicamentos à base de canabidiol ao governo. O ex-assessor de Lula confirmou ter recebido o documento, mas afirmou que não o encaminhou a integrantes da administração federal. As tentativas de negociação no Ministério da Saúde não avançaram.
Outro ponto analisado pelos investigadores envolve pagamentos feitos por Roberta a Marcola entre fevereiro e novembro de 2024. O valor citado é de R$ 217.098, utilizado, segundo a investigação, para despesas como faturas de cartão de crédito, boletos e financiamento de veículo. Marcola afirma que os pagamentos fizeram parte de um empréstimo.
Por fim, Lulinha e Marcola negam irregularidades. O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que defende o filho do presidente, criticou o vazamento de informações da investigação e questionou a divulgação de trechos dos documentos. A apuração continua no STF para esclarecer a atuação dos envolvidos e eventual responsabilidade nos fatos investigados.