
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam usar novas revelações sobre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro para pressionar pelo fim do sigilo das investigações do caso “Dark Horse”. O objetivo é cobrar do ministro André Mendonça, relator dos procedimentos relacionados ao Banco Master, maior transparência sobre a apuração envolvendo Vorcaro e Flávio Bolsonaro. A estratégia também busca reduzir possíveis impactos políticos sobre Lula durante o período eleitoral.
Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (1º), Vorcaro teria realizado um repasse adicional de US$ 1,6 milhão, equivalente a R$ 8,5 milhões na cotação da época, ao fundo responsável pelos recursos de um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. A negociação envolve o ex-banqueiro e Flávio Bolsonaro e passou a ser citada por aliados de Lula como argumento para pedir publicidade das investigações.
Paralelamente, integrantes do entorno presidencial avaliam que Lula deverá cobrar explicações sobre as mensagens reveladas entre Moraes e Vorcaro. A avaliação considera declarações anteriores do presidente sobre o ministro, inclusive quando Lula afirmou que Moraes deveria se declarar impedido em votações relacionadas ao Banco Master. Em abril, o presidente também pediu cautela ao magistrado para que o caso não comprometesse sua trajetória no Supremo Tribunal Federal.
Mendonça também é relator das investigações relacionadas aos desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e possui atribuições em procedimentos envolvendo Lulinha. Indicado ao Supremo durante o governo Jair Bolsonaro, o ministro mantém divergências internas com integrantes do grupo formado por Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino. Para aliados de Lula, a situação ganhou relevância diante das novas informações divulgadas sobre o relacionamento entre o ministro e Vorcaro.
Entretanto, outros integrantes da base governista adotam cautela e afirmam que ainda existem pontos sem esclarecimento nas revelações. Eles avaliam que uma eventual crise dentro do STF durante o período eleitoral pode produzir efeitos políticos imprevisíveis. Ao mesmo tempo, reconhecem que parte do eleitorado associa Lula a Moraes, apesar de episódios anteriores de distanciamento entre o presidente e o ministro.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro afirmou que Moraes não teria condições de continuar no Supremo após as novas revelações. O episódio também passou a ser explorado por setores da direita que utilizam críticas ao ministro para questionar decisões relacionadas às urnas eletrônicas e à eleição de Lula. Petistas avaliam que uma crise no STF poderia provocar instabilidade política em plena disputa eleitoral.
Por fim, veio a público nesta terça-feira (1º) que Vorcaro teria perguntado a Moraes, dois dias antes de ser preso, se deveria deixar o País. Também foi revelado que o ministro teria editado um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes. As informações ampliaram a pressão política em torno do caso.