
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou nesta terça-feira (1º) que considera anormal a existência de 109 pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração ocorreu após a divulgação de novas mensagens envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Segundo Alcolumbre, os pedidos apresentados no Congresso abrangem os dez ministros da Corte e representam uma pressão antiga sobre o Senado. Questionado especificamente sobre as mensagens que indicariam contatos entre Moraes e Vorcaro, o presidente da Casa evitou avaliar o conteúdo e afirmou que não deveria emitir opinião sobre o caso.
Enquanto isso, integrantes da oposição bolsonarista e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, voltaram a defender o impeachment de Moraes. Aliados de Alcolumbre, porém, avaliam como praticamente inexistente a possibilidade de abertura de um processo contra o ministro no Senado.
A investigação da Polícia Federal divulgada na terça-feira aponta que Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o Brasil dois dias antes de ser preso, em novembro de 2025. O relatório também registra que o ministro teria feito alterações em um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes.
Além do pedido de impeachment, a oposição apresentou uma queixa-crime contra Moraes à Procuradoria-Geral da República (PGR) e encaminhou um ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, solicitando a abertura de investigação. Os parlamentares também anunciaram medidas contra o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Paralelamente, mensagens atribuídas a Vorcaro mostram pedidos relacionados a possíveis intervenções junto a Andrei Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Um relatório da PF também apontou que um filho de Gonet teria solicitado ao então banqueiro participação em um evento em Londres com despesas custeadas por Vorcaro.
Por fim, parlamentares avaliam que as novas revelações devem ampliar a repercussão do caso durante as eleições de 2026. O episódio também deverá ser explorado por grupos bolsonaristas na manifestação prevista para 7 de Setembro, em São Paulo.